Nutrologia Organizacional: um conceito distante?

Grande parte de minha vida profissional se deu – e se dá – dentro de ambientes hospitalares. É evidente fica o abismo que existe entre as diretrizes, recomendações e boas práticas para combate ao risco cardiovascular e o que se faz DENTRO dos hospitais, com os profissionais de saúde. Quer espécie mais descuidada com a saúde do que a nossa?

Diante disso, deixo algumas questões provocativas:

  • Como são os lanches e desjejum em seu hospital ou empresa? Há carboidratos em excesso?
  • Como são as comemorações “intra-setoriais” de aniversário de colaboradores: à base de torta e refrigerante?
  • Há controle efetivo do peso e do IMC dos seus funcionários?
  • Há algum programa de incentivo para quem consegue perder peso (e reduzir a sinistralidade do sistema de saúde da empresa?)

Perguntas como essas podem nos ajudar a refletir sobre a maneira como conduzimos essas relevantes questões dentro do ambiente organizacional. Quer desenvolver essa conversa e saber como elas podem ser relevantes para seu negócio? Contacte-nos!

Vale à Pena Investir na Nutrição de Meus Funcionários? Vale. E muito.

Evidências mostram que o retorno para cada dólar empregado em medidas de redução do risco cardiovascular podem dar de retorno 3 a 6 o valor aplicado [1],[2]. Modelos de ROI (return on investment) para um modelo de obesidade no ambiente de trabalho mostram que entre pacientes com sobrepeso e obesidade, intervenções no ambiente de trabalho  que consigam reduzir o peso em 5% resultam em uma redução dos custos anuais em US$ 90,00 por ano por funcionário [3].

Você está esperando o quê para iniciar já a implementação de medidas de baixo custo e alta efetividade em sua Organização? Quer saber mais? Contacte-nos.

Referências:

[1] Koffman et al. Heart healthy and stroke free: successful business strategies to prevent cardiovascular disease. Am.J.Prev.Med. 2005; 29:113–121.

[2] Baicker K et al. Workplace wellness programs can generate savings. Health affairs. 2010; 29:1–8.

[3] Siegel et al. A worksite obesity intervention: results from a group-randomized trial. Am.J. Public Health. 2010; 100:327–333.

Combate à Obesidade no Ambiente Organzacional: Intervenções ambientais

Algumas intervenções efetuadas na modificação dos estímulos alimentares nocivos à saúde vascular têm sido implementadas com sucesso. Contudo, elementos como tamanho da empresa, número de empregados, tipos de trabalho, distribuição temporal dos alimentos e atividades físicas envolvidas devem ser ponderadas. A associação com intervenções individuais  devem ser consideradas.

Em geral essas ações envolvem as Lideranças da Organização e os setores reponsáveis pelos RH da empresa, sobretudo no que diz respeito à instituição organizacional dos projetos nutrológicos. Do ponto de vista  tático, intervenções que promovam hábitos saúdáveis e educação alimentar  não devem apenas se realizar no campo teórico, na forma de treinamentos, mas concretamente, através de medidas concretas na alimentação dos profissionais e terceirizados. Critérios na disponibilização de máquinas de dispensação de snacks, parcerias com ginásios e academias, programas de milhagens são alternativas interessantes que podem ser consideradas.

Lembre-se que o benefício são se restringe à saúde do funcionário, mas converte-se em benefícios à própria empresa. Quer saber mais? Consulte-nos.

Dieta com ultraprocessados: receita para ganhar peso.

Hall e cols. investigaram 20 pacientes que foram expostos a alimentos não-processados ou ultra-processados, durante 14 dias.  Ambas intervenções foram ajustadas para ofertar a mesma quantidade de calorias, açucares, gorduras, fibras e outros macronutrientes. A dieta baseada em alimentos ultra-processados causou aumento da ingestão calórica total (aprox. 500kcal/d a mais) e ganho de peso quando comparada à dieta com alimentos menos processados.

Referências: Hall et al., Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain: An Inpatient Randomized Controlled Trial of Ad Libitum Food  Intake, Cell Metabolism (2019), https://doi.org/10.1016/j.cmet.2019.05.008

A Obesidade é o Novo Tabagismo

Autoridades sanitárias inglesas lançaram um campanha contra a obesidade. Se por um lado a tendência no aumento de casos de tabagismo está em declínio, o número dos casos de obesidade só cresce. A questão tem ganhado importante repercussão, inclusive nas páginas de grandes periódicos, sobretudo após a publicação do relatório Cancer Research UK (CRUK), que traz estatísticas muito eloquentes sobre a relevância do problema.

Referência:

https://www.theguardian.com/society/2019/jul/03/obesity-rivals-smoking-as-cause-of-cancer-uk-charity-warns

https://www.cancerresearchuk.org/

Adoçantes: Não é “tudo a mesma coisa”.

Investigadores conduziram um estudo com  154 participantes, a fim de investigar os efeitos de bebidas adoçadas com diferentes adoçantes sintéticos durante 2 semanas. O uso de sacarina acarretou ganho de peso equivalente ao grupo controle, que usava sacarose (açúcar de mesa, 400 a 560kcal/d).  O uso de stévia e aspartame não se associou à modificação do peso. A sucralose por sua vez associou-se a uma tendência de volumes e frequência de alimentação menores, e redução do peso total.

Desse modo, é importante levar em conta que os adoçantes podem ter efeitos clinicamente perceptíveis, não devendo ser compreendidos como um grupo homogêneo de produtos. Consulte sempre um profissional capacitado para ajudá-lo nas escolhas mais adequadas para você.

Referência: Higgins KA, Mattes RD. A randomized controlled trial contrasting the effects of 4 low-calorie sweeteners and sucrose on body weight in adults with overweight or obesity. Am J Clin Nutr 2019;00:1-14. doi:10.1093/ajcn/nqy381

Quer saber sobre performance? Não esqueça de ver os que as Forças Armadas estão fazendo.

A dieta cetogênica (DC) é uma estratégia nutricional que pode ser utilizada como uma ferramenta aplicável a situações bem definidas, como reajuste de composição corporal, parte do preparo de atletas, para fins estéticos, sem que necessariamente precise ser utilizada de modo definitivo pelo paciente.
No caso do uso com fins de performance, não devemos esquecer que a DC e a utilização de ésteres de cetonas têm sido amplamente estudados fora do ambiente esportivo, mas também nos meios militares, dado o ganho de performance na realização de atividades e missões. Oficiais e pesquisadores do exército americano tem voltado os olhos para ações como combate, tolerância à situações de hipóxia, isto é, redução das concentrações de oxigênio no ar inspirado (aptidão especialmente interessante para mergulhadores e profissionais de atividades subaquáticas), redução de gordura corporal e ganho na relação força versus peso corporal.
Além da questão de desempenho operacional dos soldados, há um elemento econômico envolvido, já que as gorduras – principal componente da dieta – têm baixo custo, o que poderia ser usado com a finalidade de redução dos gastos com alimentação de pessoal, ainda que em períodos de missão.
Restam poucas dúvidas sobre o benefício e a aplicabilidade da estratégia. O que se discute naquele país são as questões éticas para a implementação deste regime alimentar na âmbito das forças armadas daquele. A discussão tem chegado inclusive na restrição formal e regulamentada, nas instalações militares, de pães, pizzas e outros tipos de carboidratos.

Referências:
https://www.hsph.harvard.edu/news/hsph-in-the-news/keto-diet-navy-seals/
https://www.businessinsider.com/navy-seals-keto-diet-to-be-even-more-effective-2019-6
https://www.washingtontimes.com/news/2019/jun/10/pentagon-eyes-ketogenic-diet-bid-build-more-lethal/
https://www.militarytimes.com/news/your-military/2019/07/01/defense-department-to-ban-beer-and-pizza-mandatory-keto-diet-may-enhance-military-performance/

O que é a tal da Dieta Cetogênica

Recentemente as mídias sociais têm falado muito em dieta cetogênica. Mas você  sabe que dieta é essa?

A dieta cetogênica é uma estratégia nutricional que faz parte de uma família de dietas que se aproximam por compartilharem uma característica em comum: o baixo teor de carboidratos. Daí o nome de dietas low-carb, do inglês, “baixos carboidratos”. Vamos lembrar que estes carboidratos a que nos referimos não são apenas os açúcares de mesa e os acrescidos nos alimentos industrializados; estão incluídos os carboidratos presentes nos alimentos naturais, como por exemplo tubérculos, frutas, entre outros. 

Especialistas tendem a classificar dietas com quantidades de carboidratos menores de 120 a 130 gramas por dia como dietas low-carb. Quando falamos em dieta cetogênica (DC), nos referimos a uma estratégia onde isso é levado ao extremo. Na DC, pode-se trabalhar com ofertas tão baixas quanto 20 a 50 gramas de carboidratos por dia. Em consequência disso, para se atender a meta calórica diária, essa restrição acarreta aumento dos outros dois tipos de macronutrientes, que são as  gorduras e as proteínas. Em geral a oferta de gorduras é priorizada, e se torna o principal componente da alimentação, seguido da proteína e por fim, dos carboidratos. Dentro das dietas cetogênicas, existem subtipos como a Cetogênica Clássica, Cetogênica Modificada, Dieta Atkins, Atkins Modificada, entre outros. É importante mencionar que a DC não está necessariamente vinculada às práticas de jejum intermitente ou de restrição calórica, embora nada impeça o uso combinado.

Mas por que alguém adotaria um padrão nutricional como esse? Quando se deseja fazer a DC, a intenção é induzir no organismo um estado de cetose. Está em cetose o organismo que apresenta no sangue elementos chamados corpos cetônicos. Os corpos cetônicos (CC) são produtos do metabolismo das gorduras endógenas (gordura corporal) e exógenas (gordura alimentar). 

As DC têm sido utilizadas de maneira formal na Medicina desde o começo do século 20 para tratamento de quadros epilépticos em crianças, com ótima resposta. Após um período de relativo esquecimento na modalidade, ela tem emergido nas últimas décadas não apenas como uma interessante alternativa para a população pediátrica, mas – aí a grande novidade – em adultos com quadros de diabetes, obesidade e resistência insulínica. Os estudos têm mostrado a eficácia e a segurança da técnica nessas e em outras populações de pacientes. 

É importante não confundir o estado de cetose induzida pela DC com o estado de cetoacidose diabética. O primeiro é um estado fisiológico, que emerge diante de baixas concentrações do hormônio insulina. Já o segundo é um estado patológico de risco de vida, que acomete principalmente pacientes diabéticos com diabetes tipo 1, no qual há privação quase completa da produção de insulina endógena. (Aqui uma distinção é importante: em geral, o estado de resistência à insulina e diabetes na maioria dos pacientes adultos e com distúrbios metabólicos acontece não por falta, mas por excesso de insulina). É importante, desse modo, não confundir a cetose induzida com a cetoacidose.

É fundamental o acompanhamento por profissional capacitado, uma vez que o estado de cetose não é induzido de pronto. Antes da cetose se instalar, há um período de adaptação à restrição de carboidratos, tão melhor tolerada pelos pacientes quanto mais habituado à redução da carga diária de carboidrato. No médio e longo prazo, podem ocorrer modificações importantes no perfil lipídico, que na maioria das vezes pode ser favorável e, em alguns casos, pode levantar dúvidas sobre a segurança da modalidade no contexto de hipercolesterolemias familiares. 

A DC veio para ficar como uma interessante modalidade a ser utilizada por períodos, como estratégia terapêutica ou mesmo como parte de um novo estilo de vida. Consulte sempre um profissional capacitado.

Combate à Obesidade e ao Risco Cardiometabólico no Ambiente Organizacional: Ações sobre o Indivíduo.

Algumas estratégias no nível individual podem ser utilizadas no ambiente organizacional para combate à obesidade e na redução do risco cardiometabólico. São elas a modificação comportamental, intervenções cognitivo-comportamentais (auto-monitorização, auto-reforço, aquisição de habilidades), educação em Saúde, prescrição de exercícios, auto-avaliação do risco e a combinação destes.

Este conjunto de intervenções tem sido testados tanto em sessões individuais quanto na forma de programas. O uso da Internet também tem se mostrado ferramenta útil nessa empreitada, sobretudo pela abrangência e pelo baixo custo.

As organizações são ótimos ambientes para implementação de medidas de saúde que se convertem não apenas em benefícios para os funcionários, mas também para a própria empresa.

Quer saber mais sobre Nutrologia Organizacional? Contacte-nos!

Referências: Thorndike AN. Workplace Interventions to Reduce Obesity and Cardiometabolic Risk Curr Cardiovasc Risk Rep 2011, 5(1): 79–85.

Jejum Intermitente

O Jejum Intermitente (JI) veio para ficar. É, de fato uma ferramenta muito versátil tanto para aqueles indivíduos que desejam modificar a composição corporal e perder massa adiposa quanto para pacientes com alterações metabólicas como diabetes, obesidade e demais doenças no espectro da resistência insulínica.

Mas além dos benefícios metabólicos da instituição de “janelas restritas de alimentação” – como gosto de pensar o jejum intermitente – acredito que a medida têm efeitos digamos… educacionais.

Digo isso basado no feedback de um grande número de pacientes. Com uma janela de alimentação limitada a 8, 6 ou 4 horas por dia, a depender da estratégia individualizada, um “estranho” hábito se desenvolve. Muitos passam a prestar mais atenção não apenas às escolhas alimentares, mas às causas de sua (in)saciedade instituindo medidas individuais para controle do apetite. Em consequência disso, ao longo do tempo, passam a priorizar alimentos de maior densidade proteico-calórica.

Aos poucos vemos nossos pacientes assumindo o protagonismo no controle dos próprios hábitos, o que é motivo de grande alegria para nossa equipe de profissionais.

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