Dieta com ultraprocessados: receita para ganhar peso.

Hall e cols. investigaram 20 pacientes que foram expostos a alimentos não-processados ou ultra-processados, durante 14 dias.  Ambas intervenções foram ajustadas para ofertar a mesma quantidade de calorias, açucares, gorduras, fibras e outros macronutrientes. A dieta baseada em alimentos ultra-processados causou aumento da ingestão calórica total (aprox. 500kcal/d a mais) e ganho de peso quando comparada à dieta com alimentos menos processados.

Referências: Hall et al., Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain: An Inpatient Randomized Controlled Trial of Ad Libitum Food  Intake, Cell Metabolism (2019), https://doi.org/10.1016/j.cmet.2019.05.008

Adoçantes: Não é “tudo a mesma coisa”.

Investigadores conduziram um estudo com  154 participantes, a fim de investigar os efeitos de bebidas adoçadas com diferentes adoçantes sintéticos durante 2 semanas. O uso de sacarina acarretou ganho de peso equivalente ao grupo controle, que usava sacarose (açúcar de mesa, 400 a 560kcal/d).  O uso de stévia e aspartame não se associou à modificação do peso. A sucralose por sua vez associou-se a uma tendência de volumes e frequência de alimentação menores, e redução do peso total.

Desse modo, é importante levar em conta que os adoçantes podem ter efeitos clinicamente perceptíveis, não devendo ser compreendidos como um grupo homogêneo de produtos. Consulte sempre um profissional capacitado para ajudá-lo nas escolhas mais adequadas para você.

Referência: Higgins KA, Mattes RD. A randomized controlled trial contrasting the effects of 4 low-calorie sweeteners and sucrose on body weight in adults with overweight or obesity. Am J Clin Nutr 2019;00:1-14. doi:10.1093/ajcn/nqy381

Alimentos Viciantes: o que eles têm em comum?

Algumas comidas  são viciantes. E não é força de expressão. São mesmo. Isso acontece por que os sistemas de recompensa cerebral “entendem” como um bem alimentos de alta densidade calórica, saborosos e de textura que facilite a digestão. O engenho humano conseguiu ao longo da história combinar essas três características em formas alimentares altamente apelativas ao nosso apetite.

Procure estar atento, de preferencia antecipadamente, quando da exposição aos seguintes alimentos:

PÃO – QUEIJO – CHOCOLATE – CHURRASCO – FEIJOADA – SORVETE – DOCES EM GERAL – SALGADINHOS – BISCOITO RECHEADO – NUTELLA(R) E CONGÊNERES

Notou como em todos os componentes da lista compartilham de certo modo um alto grau de densidade calórica, sabor e textura?

Referência: Queiroz de Medeiros et al. Food cravings among Brazilian population. Appetite, 2016; 108:212–218. doi:10.1016/j.appet.2016.10.009

 

Açúcar e recompensa

O apetite dirige os animais à procura de alimentos para o sustento do próprio organismo. Quando o animal se alimenta do que lhe é próprio, ele goza no benefício causado pelo alimento, como saciedade, bem estar, e reposição do déficit energético. Esse conjunto de respostas de reforço positivo é integrado no sistema nervoso central e recebe o nome de centros de recompensa.

Nesse sentido, pode-se enxergar sua importância na história evolutiva das espécies. Imagine se as funções de reprodução por exemplo não fossem agradáveis aos indivíduos? A reprodução das espécies estaria ameaçada certamente. No caso da alimentação, mecanismos de recompensa reforçam de modo positivo o comportamento do indivíduo entram em cena após a  escolha do alimento nutricionalmente bom para o organismo. Nesse caso, aquilo que o corpo lê como bom são alimentos caloricamente densos, saborosos e seguros.

Na história evolutiva do homem, de poucos séculos para cá, e sobretudo a partir da segunda metade do século XX uma grande reviravolta se deu. Os alimentos nunca estiveram tão prontamente acessíveis, tão palatáveis, tão densos e tão seguros do ponto de vista de tempo de validade. O resultado disso é a superexposição a um estímulo alimentar muito mais potente do que aquele no qual nos desenvolvemos como espécie. Tão potente que não temos estruturas neurais capazes de assimilar tamanha intensidade sem alterar o comportamento regular.

Alimentos ultra-processados com alta carga de açúcar são exemplos desse tipo de alimentos com a potência suficiente para promover não apenas a desregulação dos sistemas de recompensa cerebral (SRC) mencionado acima, mas também sua estrutura neural [1]. A consequência disso é a desregulação do eixo necessidade energética – fome – equilíbrio energético – saciedade. A recompensa descola-se de sua base fisiológica e passa a ser o próprio motor desse circuito. E em virtude disso, temos à reboque todas as consequências hormonais da exposição continuada a alimentos com alto potencial de recompensa.

Referência

[1] Olszewski et al. Excessive Consumption of Sugar: an Insatiable Drive for Reward. Curr Nutr Rep. 2019 Jun;8(2):120-128. doi: 10.1007/s13668-019-0270-5. .DOI: 10.1007/s13668-019-0270-5