Quer saber sobre performance? Não esqueça de ver os que as Forças Armadas estão fazendo.

A dieta cetogênica (DC) é uma estratégia nutricional que pode ser utilizada como uma ferramenta aplicável a situações bem definidas, como reajuste de composição corporal, parte do preparo de atletas, para fins estéticos, sem que necessariamente precise ser utilizada de modo definitivo pelo paciente.
No caso do uso com fins de performance, não devemos esquecer que a DC e a utilização de ésteres de cetonas têm sido amplamente estudados fora do ambiente esportivo, mas também nos meios militares, dado o ganho de performance na realização de atividades e missões. Oficiais e pesquisadores do exército americano tem voltado os olhos para ações como combate, tolerância à situações de hipóxia, isto é, redução das concentrações de oxigênio no ar inspirado (aptidão especialmente interessante para mergulhadores e profissionais de atividades subaquáticas), redução de gordura corporal e ganho na relação força versus peso corporal.
Além da questão de desempenho operacional dos soldados, há um elemento econômico envolvido, já que as gorduras – principal componente da dieta – têm baixo custo, o que poderia ser usado com a finalidade de redução dos gastos com alimentação de pessoal, ainda que em períodos de missão.
Restam poucas dúvidas sobre o benefício e a aplicabilidade da estratégia. O que se discute naquele país são as questões éticas para a implementação deste regime alimentar na âmbito das forças armadas daquele. A discussão tem chegado inclusive na restrição formal e regulamentada, nas instalações militares, de pães, pizzas e outros tipos de carboidratos.

Referências:
https://www.hsph.harvard.edu/news/hsph-in-the-news/keto-diet-navy-seals/
https://www.businessinsider.com/navy-seals-keto-diet-to-be-even-more-effective-2019-6
https://www.washingtontimes.com/news/2019/jun/10/pentagon-eyes-ketogenic-diet-bid-build-more-lethal/
https://www.militarytimes.com/news/your-military/2019/07/01/defense-department-to-ban-beer-and-pizza-mandatory-keto-diet-may-enhance-military-performance/

O que é a tal da Dieta Cetogênica

Recentemente as mídias sociais têm falado muito em dieta cetogênica. Mas você  sabe que dieta é essa?

A dieta cetogênica é uma estratégia nutricional que faz parte de uma família de dietas que se aproximam por compartilharem uma característica em comum: o baixo teor de carboidratos. Daí o nome de dietas low-carb, do inglês, “baixos carboidratos”. Vamos lembrar que estes carboidratos a que nos referimos não são apenas os açúcares de mesa e os acrescidos nos alimentos industrializados; estão incluídos os carboidratos presentes nos alimentos naturais, como por exemplo tubérculos, frutas, entre outros. 

Especialistas tendem a classificar dietas com quantidades de carboidratos menores de 120 a 130 gramas por dia como dietas low-carb. Quando falamos em dieta cetogênica (DC), nos referimos a uma estratégia onde isso é levado ao extremo. Na DC, pode-se trabalhar com ofertas tão baixas quanto 20 a 50 gramas de carboidratos por dia. Em consequência disso, para se atender a meta calórica diária, essa restrição acarreta aumento dos outros dois tipos de macronutrientes, que são as  gorduras e as proteínas. Em geral a oferta de gorduras é priorizada, e se torna o principal componente da alimentação, seguido da proteína e por fim, dos carboidratos. Dentro das dietas cetogênicas, existem subtipos como a Cetogênica Clássica, Cetogênica Modificada, Dieta Atkins, Atkins Modificada, entre outros. É importante mencionar que a DC não está necessariamente vinculada às práticas de jejum intermitente ou de restrição calórica, embora nada impeça o uso combinado.

Mas por que alguém adotaria um padrão nutricional como esse? Quando se deseja fazer a DC, a intenção é induzir no organismo um estado de cetose. Está em cetose o organismo que apresenta no sangue elementos chamados corpos cetônicos. Os corpos cetônicos (CC) são produtos do metabolismo das gorduras endógenas (gordura corporal) e exógenas (gordura alimentar). 

As DC têm sido utilizadas de maneira formal na Medicina desde o começo do século 20 para tratamento de quadros epilépticos em crianças, com ótima resposta. Após um período de relativo esquecimento na modalidade, ela tem emergido nas últimas décadas não apenas como uma interessante alternativa para a população pediátrica, mas – aí a grande novidade – em adultos com quadros de diabetes, obesidade e resistência insulínica. Os estudos têm mostrado a eficácia e a segurança da técnica nessas e em outras populações de pacientes. 

É importante não confundir o estado de cetose induzida pela DC com o estado de cetoacidose diabética. O primeiro é um estado fisiológico, que emerge diante de baixas concentrações do hormônio insulina. Já o segundo é um estado patológico de risco de vida, que acomete principalmente pacientes diabéticos com diabetes tipo 1, no qual há privação quase completa da produção de insulina endógena. (Aqui uma distinção é importante: em geral, o estado de resistência à insulina e diabetes na maioria dos pacientes adultos e com distúrbios metabólicos acontece não por falta, mas por excesso de insulina). É importante, desse modo, não confundir a cetose induzida com a cetoacidose.

É fundamental o acompanhamento por profissional capacitado, uma vez que o estado de cetose não é induzido de pronto. Antes da cetose se instalar, há um período de adaptação à restrição de carboidratos, tão melhor tolerada pelos pacientes quanto mais habituado à redução da carga diária de carboidrato. No médio e longo prazo, podem ocorrer modificações importantes no perfil lipídico, que na maioria das vezes pode ser favorável e, em alguns casos, pode levantar dúvidas sobre a segurança da modalidade no contexto de hipercolesterolemias familiares. 

A DC veio para ficar como uma interessante modalidade a ser utilizada por períodos, como estratégia terapêutica ou mesmo como parte de um novo estilo de vida. Consulte sempre um profissional capacitado.

Dieta Cetogênica: Potenciais Aplicações em Neurologia

A dieta Atkins modificada é um desenho de dieta pertinente à família das dietas cetogênicas, utilizada em cenários de doenças metabólicas, epilepsia, entre outros. Alguns estudos têm investigado o papel de abordagens cetogênicas em outras doenças neurológicas como a Esclerose Múltipla (EM).

Um estudo com número pequeno de pacientes foi recentemente publicado. O objetivo era demonstrar a aderência à estratégia, além de escores de fadiga, depressão e níveis de adipocinas durante a adoção da modalidade.

A aderência no geral foi boa, com poucas desistências ao fim dos 6 meses de acompanhamento. No grupo que levou até o fim o padrão alimentar, observou-se redução da massa corporal gorda, dos escores de fadiga e depressão e dos níveis séricos de leptina. Nenhum paciente apresentou ativação da doença no período, mas a investigação não teve um grupo controle (não-cetogênico), com dieta convencional.

Nesta observação, a dieta cetogênica foi bem tolerada. Embora limitada para acrescentar novos conhecimentos sobre controle de recorrência, pode ser considerada como uma modalidade no controle de peso e da composição, por exemplo, aos quais pacientes com EM não estão imunes.

Referência: Brenton JN et al. Pilot study of a ketogenic diet in relapsing-remitting MS.Neurol Neuroimmunol Neuroinflamm. 2019 Apr 12;6(4):e565.