O que é a tal da Dieta Cetogênica

Recentemente as mídias sociais têm falado muito em dieta cetogênica. Mas você  sabe que dieta é essa?

A dieta cetogênica é uma estratégia nutricional que faz parte de uma família de dietas que se aproximam por compartilharem uma característica em comum: o baixo teor de carboidratos. Daí o nome de dietas low-carb, do inglês, “baixos carboidratos”. Vamos lembrar que estes carboidratos a que nos referimos não são apenas os açúcares de mesa e os acrescidos nos alimentos industrializados; estão incluídos os carboidratos presentes nos alimentos naturais, como por exemplo tubérculos, frutas, entre outros. 

Especialistas tendem a classificar dietas com quantidades de carboidratos menores de 120 a 130 gramas por dia como dietas low-carb. Quando falamos em dieta cetogênica (DC), nos referimos a uma estratégia onde isso é levado ao extremo. Na DC, pode-se trabalhar com ofertas tão baixas quanto 20 a 50 gramas de carboidratos por dia. Em consequência disso, para se atender a meta calórica diária, essa restrição acarreta aumento dos outros dois tipos de macronutrientes, que são as  gorduras e as proteínas. Em geral a oferta de gorduras é priorizada, e se torna o principal componente da alimentação, seguido da proteína e por fim, dos carboidratos. Dentro das dietas cetogênicas, existem subtipos como a Cetogênica Clássica, Cetogênica Modificada, Dieta Atkins, Atkins Modificada, entre outros. É importante mencionar que a DC não está necessariamente vinculada às práticas de jejum intermitente ou de restrição calórica, embora nada impeça o uso combinado.

Mas por que alguém adotaria um padrão nutricional como esse? Quando se deseja fazer a DC, a intenção é induzir no organismo um estado de cetose. Está em cetose o organismo que apresenta no sangue elementos chamados corpos cetônicos. Os corpos cetônicos (CC) são produtos do metabolismo das gorduras endógenas (gordura corporal) e exógenas (gordura alimentar). 

As DC têm sido utilizadas de maneira formal na Medicina desde o começo do século 20 para tratamento de quadros epilépticos em crianças, com ótima resposta. Após um período de relativo esquecimento na modalidade, ela tem emergido nas últimas décadas não apenas como uma interessante alternativa para a população pediátrica, mas – aí a grande novidade – em adultos com quadros de diabetes, obesidade e resistência insulínica. Os estudos têm mostrado a eficácia e a segurança da técnica nessas e em outras populações de pacientes. 

É importante não confundir o estado de cetose induzida pela DC com o estado de cetoacidose diabética. O primeiro é um estado fisiológico, que emerge diante de baixas concentrações do hormônio insulina. Já o segundo é um estado patológico de risco de vida, que acomete principalmente pacientes diabéticos com diabetes tipo 1, no qual há privação quase completa da produção de insulina endógena. (Aqui uma distinção é importante: em geral, o estado de resistência à insulina e diabetes na maioria dos pacientes adultos e com distúrbios metabólicos acontece não por falta, mas por excesso de insulina). É importante, desse modo, não confundir a cetose induzida com a cetoacidose.

É fundamental o acompanhamento por profissional capacitado, uma vez que o estado de cetose não é induzido de pronto. Antes da cetose se instalar, há um período de adaptação à restrição de carboidratos, tão melhor tolerada pelos pacientes quanto mais habituado à redução da carga diária de carboidrato. No médio e longo prazo, podem ocorrer modificações importantes no perfil lipídico, que na maioria das vezes pode ser favorável e, em alguns casos, pode levantar dúvidas sobre a segurança da modalidade no contexto de hipercolesterolemias familiares. 

A DC veio para ficar como uma interessante modalidade a ser utilizada por períodos, como estratégia terapêutica ou mesmo como parte de um novo estilo de vida. Consulte sempre um profissional capacitado.

O Primeiro Ensaio Clínico Low-Carb vs. Low Fat da História

Incontáveis passagens bíblicas entrecruzam o tema da Religião e de algumas práticas alimentares. Nesta postagem, vamos explorar o que nos diz o livro do profeta Daniel (Dn 1:1-16).

O trecho narra o episódio em que Nabucodonosor selecionou jovens filhos de Israel para assistirem no palácio do rei, durante o sítio babilônico. O rei determinou-lhes uma ração composta de carne e vinho, consideradas iguarias. Daniel, que não queria se contaminar com a comida real, recusou-a. A “contaminação” a que o Livro se refere devia-se ao fato das carnes não serem  apropriadas segundo a tradição judaica (cf. Levítico) e do vinho ser usado muitas vezes como oferecimento aos ídolos.

Sua recusa porém exporia o chefe dos eunucos, então incumbido de cuidar bem dos israelitas. Caso estes parecessem aos olhos do rei com os “rostos mais tristes” que os demais jovens de outras nações – o que poderia ser entendido como maus tratos – o chefe dos eunucos poderia ser penalizado.  Severamente penalizado.

Daniel propôs então um ensaio clínico controlado. Ao futuro profeta e a amigos israelitas seriam servidos – sem o conhecimento do rei – apenas de legumes e água. Para os demais jovens de outras nações, seriam servidas as iguarias do rei. Os grupos INTERVENÇÃO  (legumes + água) e CONTROLE (carne + vinho) seriam comparados ao fim de dez dias.

Passado o período de exposição, o chefe dos eunucos retornou para comparação entre os grupo.  Ele observou que os jovens israelitas “estavam mais gordos de carne do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei“.

Provavelmente este é não apenas um dos primeiros ensaios clínicos controlados da história: é também o primeiro estudo a avaliar comparativamente intervenções… low carb vs. low fat.

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Notas: 1) Icone de São Daniel, da Arquidiocese Ortodoxa Grega da América; 2) trecho extraído do portal www.bibliacatolica.com.br/biblia-ave-maria (Ed. Ave Maria)